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Espetáculo Inútil a Chuva


O barco segue pelo lago. Mas se olhar com um pouco mais de atenção, vai reparar que alguma coisa está afundando. A água está entrando. E se olhar com mais atenção ainda, vai perceber que o furo não está no barco que flutua, vai perceber que o furo está na própria família. A mãe e os três filhos remam. Não estão ali para pescar ou apreciar brisa. Remam para tentar lembrar que não conseguem esquecer a ausência de alguém naquele barco. A ausência recebe o nome de pai. Um artista exímio na técnica do ódio sobre tela.  

    

Uma família estranha. Cada membro possui um parafuso perdido em algum lugar da existência. Cada um procura o parafuso perdido para recolocá-lo em seu devido lugar. E, como todos sabem, encontrar o parafuso perdido para dar sentido à vida nem sempre dá certo. Parafusos são impertinentes, possuem personalidades próprias, seguem trajetórias espiraladas, se escondem sob tapetes. Mãe e filhos procuram reinterpretar o passado a partir daquilo que acontece no alcance das mãos, no aqui e agora com o barco seguindo em frente.

    

Tudo isso está em Inútil a Chuva, novo espetáculo do Armazém Companhia de Teatro, que conta com o patrocínio da Petrobras.

    

A ironia aparece quando, após o desaparecimento, a obra do pai e pintor começa a ser reconhecida. Após sumir do mapa, seus quadros passam a valer milhões. O sujeito passa a ser considerado um gênio, a nova estrela da arte contemporânea. Aquele tipo de artista que os museus amam, um nada que, após cair na cova, vira um gênio maravilhoso, com quadros que valem mais que ouro.    

Na dramaturgia de Inútil a Chuva, criada em parceria por Paulo de Moraes e Jopa Moraes, a personagem central é essa ausência sem limites. Ao espectador cabe a tarefa de conhecê-lo através de relatos alheios.    

Tudo em Inútil a Chuva acontece a partir de encontros. Pessoas indo, vindo, se cruzando, se trombando, revirando a sujeira, produzindo aromas, criando sentidos, entendimentos das dores, erros e acertos. E claro, os eternos “não sei o que fazer com isso agora que estou diante de um monstro que solicita alimento ou pescoço degolado”. Mais o céu que desaba feito chuva, seja com tensão ou humor, mostrando as várias faces de um mesmo naufrágio que nunca ocorreu por completo. Um céu esfregando o gosto da água e a falta de ar num dia de dúvidas e certezas, tintas e pincéis, seja ódio sobre tela ou graça sobre tela.

  
Serviço:
Inútil a Chuva
Armazém Companhia de Teatro
Teatro de Santa Isabel 
sexta-feira: 13 de maio às 20h
sábado: 14 de maio às 20h
domingo: 15 de maio às 18h


Oxente! Nós estamos em Recife!!

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